Notícias e Eventos


Postado dia 09/08/2017


Desacelerem, parem as máquinas mortíferas!

Ante a selvageria no trânsito, governos deveriam investir maciçamente no transporte público, em ciclovias e calçadas.

Leia o editorial do Mobilize.

Já escrevemos aqui sobre o número (escandaloso) de informações sobre atropelamentos de pedestres e ciclistas que

recebemos todos os dias, de todo o Brasil, aqui na redação do Mobilize. São centenas.

Nesta semana, em plena Marginal do Tietê, em São Paulo, um motorista atropelou um trabalhador que circulava de

bicicleta e o arrastou, ferido, por longos 5 km sobre o capô de seu carro. Como explicar esse comportamento do

motorista, um senhor de 65 anos? De um lado, persiste no trânsito uma pressa irracional e uma cultura de competição

pelo espaço, pela afirmação pessoal. E nesse esporte perigoso, pedestres e ciclistas sempre perdem. Há também o

medo da violência urbana, explicável, mas potencializado por certa mídia sensacionalista, que nos faz todos suspeitos

e vítimas. E morre-se assim, tolamente.

Parte dessa loucura advém da precariedade dos sistemas de transporte público em todas as cidades brasileiras, que

ainda não conseguiram dar o salto de qualidade previsto na Política Nacional de Mobilidade. Levantamento recente da

Agência Brasil revela que apenas 142 projetos de 87 municípios do país enviaram projetos de mobilidade sustentável

ao Ministério das Cidades até o mês de agosto. No total, mais de 1.600 cidades poderiam apresentar projetos.

E não é por falta de informação. Além das publicações do próprio Ministério, existem dezenas de guias e manuais

disponíveis para consulta gratuita, como o excelente Guia de Planejamento Cicloinclusivo divulgado pelo ITDP Brasil,

um manual que permite a qualquer município criar uma rede de ciclovias, bicicletários e sistemas de bicicletas

públicas integrados aos demais transportes urbanos. Outro exemplo é a Cartilha da Calçada Cidadã, trabalho realizado

pela blogueira (e deputada) Mara Gabrilli, que oferece dicas para qualquer prefeito que queira "passar a limpo" os

passeios públicos de sua cidade. A propósito, vale lembrar: calçada é um instrumento básico da mobilidade e sua

manutenção é de responsabilidade dos gestores municipais. Está na Lei Brasileira da Inclusão.

Os resultados aparecem quando há vontade política: Porto Alegre recebeu uma premiação internacional pelo projeto

de  sinalização de solo implantado em suas ruas centrais. Bastou pintar o pavimento para criar uma ciclofaixa, reduzir

a velocidade do tráfego e melhorar a segurança de travessia para pedestres. Agora a prefeitura da capital gaúcha

promete estender o experimento para outras vias. Vamos ver se o projeto avança.

Por fim um destaque para o passeio domingueiro de nosso chefe Ricky Ribeiro, que voltou às ruas depois de um

longo período fechado em seu quarto-escritório. Com sua nova cadeira de rodas permobil, ele foi vivenciar a Paulista

Aberta e percorreu os 2 km da via entre amigos, músicos, malabaristas, ciclistas, crianças, avós, manifestações políticas

e muita festa.

Ruas sem carros, ruas para pessoas...o Mobilize nasceu em 2011 para buscar esse sonho. E, apesar dos atropelos,

vamos conquistando nosso espaço.


Fonte: Revista Bicicleta.


Nenhum comentário:

Postar um comentário